quinta-feira, 27 de maio de 2010

O Jornalismo Literário de Paulo Moura

No passado dia 25, tivemos a sorte de receber, nas nossas instalações, Paulo Moura, jornalista do Público e professor de Jornalismo Literário na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa. Durante a conferência, foi possível falar dos mais diversos assuntos e ouvir algumas das mais incríveis histórias pelas quais Paulo Moura passou. Apesar da divagação, o assunto abordado (pelo menos no início desta conversa) foi o jornalismo literário.

O jornalismo literário surgiu na conturbada década de 60, nos EUA, sob a influência de diversos escritores realistas; ficou inicialmente conhecido como "Novo Jornalismo". Este novo estilo apareceu num momento em que os leitores da imprensa procuravam ler algo sobre a realidade mais profundo, que fizesse pensar. A imprensa atravessava também uma crise, que em muito conseguiu ultrapassar graças a esta nova tendência.

Contudo, à medida que alguns dos "Novos Jornalistas" foram conquistando o sucesso e a fama, o jornalismo literário foi entrando em declínio, devido a alguns excessos, principalmente no que toca a manipulação dos factos. Estes jornalistas entusiasmaram-se de tal forma que acabaram por cair no erro de ficcionar as suas histórias.

No entanto, por volta da década de 80, o jornalismo literário redime-se com uma vaga de jornalistas preocupados em relatar de facto a realidade, sem modificar ou acrescentar nada às histórias.

No chamado jornalismo convencional, a história é bastante básica, com personagens bidimensionais, sem profundidade, ou seja, a realidade é tratada de forma um pouco superficial. As histórias concentram-se geralmente em histórias comuns, com as quais os leitores se podem identificar, que servem como exemplo para a maioria.

O jornalismo literário, por outro lado, procura relatar a realidade com alguma profundidade, retratando histórias que possam, ao seu jeito, ser únicas. No fundo, o jornalista literário é um romancista que conta a sua história, divergindo apenas na veracidade dos factos. Se o romancista ficciona, o mesmo não se pode dizer do jornalista literário. Outro aspecto de distinção entre o jornalismo tradicional e literário, é que este último não segue a regra da pirâmide invertida.

Escrever uma peça jornalística literária não é de todo fácil. O jornalista literário, tal como o tradicional, tem que, antes de mais nada, recolher informação. Mas, mais do que isto, precisa de se inserir e de conhecer melhor as personagens, de se aproximar da história que vai contar. No fundo, é um observador nato, atenta a realidade de com minúcia. O jornalista desta especialidade encontra sempre uma história, mesmo onde aparentemente não existe nenhuma.

Na forma de escrita, o jornalismo literário recorre a muitos recursos e técnicas utilizados habitualmente pelos escritores, visando enriquecer o texto. O jornalista pode optar, por exemplo, por recriar conversas, através da transcrições de diálogos, ao invés da simples utilização de citações. Pode também "brincar" com o tempo, já que a narrativa não precisa, neste subgénero jornalístico, ser linear. Fazer jogos com o tempo permite dar à narração dinamismo e criar um certo suspense, de forma a manter o leitor atento e interessado. Nesse sentido, não é necessário contar ao leitor tudo o que há para contar mal a peça se inicie. A descrição de cenários é também muito utilizada no jornalismo literário.

Um facto interessante é que se pode escrever os pensamentos das personagens. Um jornalista literário foi confrontado com a pergunta de como poderia saber o que ia pela cabeça das pessoas, ao que ele respondeu: perguntando-lhes.

O próprio jornalismo literário englobe uma série de subgéneros que vão da biografia, à crónica de viagem, passando pelos ensaios pessoais, entre outros.

No fundo, o jornalismo literário é, tal como Paulo Moura afirmou, «um jornalismo de autor, onde este desenvolve o seu próprio estilo». Trata-se de uma forma mais artística e profunda de fazer jornalismo.

Paulo Moura proporcionou-nos uma aula completamente diferente e muito interessante, onde uma empolgante conversa substitui por completo aquilo que poderia ser uma conferência sem graça. Porque mais do que falar do jornalismo jornalístico, Paulo Moura contou-nos a sua experiência, as suas histórias...

A este propósito, convido-vos (para quem não conhece) a visitar o Repórter à Solta, o blogue de Paulo Moura.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O Jornalismo Assistido por Computador (JAC)

A Internet pode funcionar como recurso informativo, contudo é necessário ter alguns cuidados na escolha da informação. Deve-se identificar que autoridade se esconde por detrás da informação, assim como o objectivo do site onde esta é disponibilizada. Outro aspecto a ter em atenção é a actualidade dos factos, ou seja, é necessário ter conhecimento da data a que a informação remonta e da existência ou não de novos dados. Devemos ainda questionar e averiguar a credibilidade das fontes citadas, e verificar se a informação se encontra disponível noutros espaços online. Só com estes cuidados é possível obter uma informação clara e credível.

Para este exercício, no âmbito da cadeira de Técnicas de Expressão Jornalística, escolhi como assunto a abordar a visita do Papa Bento XVI a Portugal, nos começos do próximo mês de Maio, já que se trata de um assunto bastante actual e muito noticiado nos meios de comunicação.

Após uma breve pesquisa sobre a visita de Bento XVI ao nosso país, consegui recolher alguma informação útil e aparentemente segura. Seguindo os cuidados acima descritos, seleccionei alguns sites com informações sobre o assunto escolhido, dos quais destaco:

A minha primeira escolha recai sobre o site oficial da visita do Papa a Portugal, onde é possível encontrar toda as informações sobre este evento. Ao contrário dos restantes sites seleccionados, este é o único que apresenta a imagem criada para a promoção da visita de Bento XVI. À partida este deverá ser o primeiro website a divulgar novas informações. Já que se trata do site oficial, os dados fornecidos deverão ser verídicos, visto que não faria qualquer sentido o contrário, tendo em conta o objectivo deste endereço web.

Na segunda posição da lista de sites sobre o assunto está o sítio oficial do Vaticano. Apesar de este endereço web ser mais geral, disponibiliza também uma secção relativa às viagens de Bento XVI, onde se podem encontrar dados sobre a sua visita a Portugal, como por exemplo, o programa. Nessa mesma secção, está já reservado um espaço para uma galeria de fotos e para a transmissão ao vivo das comemorações.

O site da Agência Ecclesia, agência de notícias relativas À Igreja Católica, possui também diversas notícias sobre a visita de Bento XVI, nomeadamente uma ligação para o site oficial do acontecimento. Como agência noticiosa, ligada à Igreja, será normal esperar notícias de confiança.

Esta página exclusivamente ligada à Igreja Católica, apesar de não oficializado, parece ser credível, tendo em conta o facto de estar online há já nove anos. Depois de uma breve pesquisa sobre o próprio site, pareceu-me ser algo reputado e frequentado pelos interessados em assuntos relacionados com a Igreja. Devo apontar como falha, a confusão na apresentação do site, que dificulta a navegação pelo mesmo.

Para terminar, escolhi o site oficial do Santuário de Fátima, já que este vai receber o Papa na sua visita. Logo na primeira página, podemos encontrar diversas informações sobre o tema.

De salientar que os sites dos diversos meios de comunicação poderiam também fazer parte desta lista, tendo em conta que, à partida, as informações por eles disponibilizadas deverão ser verídicas.

Em jeito de conclusão, visto que a maioria dos sites aqui listados constituem páginas OFICIAIS, será de esperar que tenham autoridade para emitir informações de forma credível. A coincidência dos dados fornecidos pelos cinco sites reforça a credibilidade dos mesmos dados.

quarta-feira, 17 de março de 2010

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